O prefeito de Petrolina, Simão Durando, declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na votação de 4 de outubro de 2026, Lula recebeu 60,2% dos votos no município, contra 32,8% de Flávio, segundo os dados citados na reportagem.
Em 7 de outubro de 2026, Durando participou em Brasília do evento em que o União Brasil anunciou apoio a Flávio. Em publicação nas redes sociais, o prefeito disse que esteve no encontro com o deputado Fernando Filho.
Petrolina, no sertão de Pernambuco, recebeu recursos federais durante o mandato de Lula iniciado em 2023. Dados do Portal da Transparência do Governo Federal, citados na reportagem, registram repasses destinados a diferentes áreas do município.

O caso também envolve a Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro de 2026 para investigar possíveis desvios de emendas destinadas à prefeitura e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A investigação trata de recursos relacionados à gestão do ex-prefeito Miguel Coelho.
Apoio de Simão Durando a Flávio e repasses federais a Petrolina
Ao justificar o apoio de Simão Durando a Flávio Bolsonaro, o prefeito associou a decisão a temas como segurança, justiça, desenvolvimento, saúde e educação. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o encontro do União Brasil em Brasília reuniu lideranças do partido em torno do que chamou de “próximo presidente da República”.
Segundo dados do Portal da Transparência do Governo Federal citados na reportagem, Petrolina recebeu R$ 774 milhões em investimentos voluntários ao longo do mandato de Lula iniciado em 2023, média de R$ 195 milhões por ano. Desde 2023, foram registrados pelo menos 65 repasses, sendo 24 destinados à saúde, que somaram R$ 455 milhões.
Na área da saúde, os recursos incluíram R$ 29,7 milhões para o piso salarial dos trabalhadores da enfermagem e R$ 65 milhões para agentes comunitários de saúde. Também financiaram obras em unidades básicas, transformação digital na rede municipal, procedimentos de média e alta complexidade, assistência farmacêutica e vigilância sanitária.
Para a educação, foram destinados R$ 163 milhões em 14 repasses, incluindo R$ 31,7 milhões para alimentação escolar, R$ 5,1 milhões para educação em tempo integral e verbas para infraestrutura, manutenção da rede básica e transporte escolar. Outros valores citados foram R$ 76,8 milhões para desenvolvimento econômico local, R$ 37,1 milhões para turismo, R$ 17,1 milhões para assistência social e R$ 7,1 milhões para cultura.
Operação Vassalos investiga suspeitas sobre emendas e obras em Petrolina
A Polícia Federal deflagrou a Operação Vassalos em fevereiro de 2026 para investigar possíveis desvios de emendas parlamentares destinadas à Prefeitura de Petrolina e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A apuração se refere a recursos enviados durante a gestão do ex-prefeito Miguel Coelho, do União Brasil.
De acordo com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, havia indícios de desvio de recursos federais repassados por emendas parlamentares e termos de execução descentralizada (TEDs). Os valores investigados seriam destinados a obras de pavimentação em Petrolina, incluindo recursos encaminhados à prefeitura e à Codevasf.
Dino apontou como elementos que despertaram questionamentos a concentração de recursos no mesmo tipo de obra e município, além da repetição da empresa vencedora das concorrências. Segundo a investigação, a empresa seria supostamente vinculada a familiares dos investigados; a apuração não representa, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade.
A decisão autorizou a quebra de sigilo telefônico, o rastreamento de linhas utilizadas pelos investigados e a apreensão de dinheiro e bens de alto valor encontrados. O contexto político citado na reportagem inclui Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel e senador à época, e Fernando Coelho Filho, irmão de Miguel e deputado federal.
